segunda-feira, 19 de março de 2007

Palhaço é um homem todo pintado de piadas...



Eu Não Sei Na Verdade Quem Eu Sou
O Teatro Mágico
Composição: Fernando Anitelli

Eu não sei na verdade quem eu sou
já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro um sorriso e o meu paraíso é onde estou
Por que a gente é desse jeito?
criando conceito pra tudo que restou

Meninas... são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro

Eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro um sorriso...
e o meu paraíso é onde estou

Eu não sei... na verdade quem eu sou
Descobrir... da onde veio a vida
por onde entrei... deve haver uma saída
e tudo fica sustentado... pela fé
Na verdade ninguém... sabe o que é

Velhinhos são crianças nascidas faz tempo
com água e farinha colo figurinha e foto em documento
Escola! É onde a gente aprende palavrão...
Tambor no meu peito faz o batuque do meu coração

Eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso... e o meu paraíso é onde estou
Eu não sei... na verdade quem eu sou

Percebi que a cada minuto
Tem um olho chorando de alegria e outro chorando de luto
Tem louco pulando o muro, em corpo pegando doença
Tem gente trepando no escuro, tem gente sentido ausência

Meninas... são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro.


Essa, narygudos, foi uma música feita pelo Teatro Mágico em homenagem aos Doutores da Alegria. Posto aqui porque ela acaba se direcionando a todos os palhaços de hospital, portanto, Ypsilonianos, sintam-se, por favor, também contemplados!!! ;O)

RrRrrRrrespeitável público, O Teatro Mágico: http://www.youtube.com/watch?v=aQ2RwcDst-s

sexta-feira, 16 de março de 2007

O que é o Y?


TREYS FLORES PARA O Y

Difícil não falar: que lindas!
Poderia tal beleza ser menor?
Imagine-as isoladas.
Poderia tal beleza ser maior?
Imagine-as em um ambiente tão belo quanto.
O Y é como o conjunto dessas flores
E cada um de nós somos uma delas.
Diferentes.
Importantes.
A beleza só se completa
com a união das flores.
Mas isso não basta.
Assim como um jardim
É ofuscado pela casa mal cuidada,
O Y não é tão belo
se não zelarmos pelo lugar onde costruimos nosso sonho.
Lutamos pelo o que nos impede de pelo menos tentar prolongar tal beleza
Então não vale a pena?
Olhe para elas...
Por Mya

quinta-feira, 15 de março de 2007

Fotos da visita de 07/03/07 (Ver relato "Retorno à cirurgia")






O que é o Y?



O Y foi o símbolo mais perfeito para o nosso projeto. Ele é cheio de significado - como todo símbolo ¬¬. Mas é muito significado mesmo. Parece uma coisa boba - como nosso projeto. Mas é tagarela no seu silêncio - como um bom clown. E começaremos a postar aqui as muitas nuanças que ele pode ter. Aí está nossa primeira contribuição.

segunda-feira, 12 de março de 2007

nã nã nã nã Nã!


Pra quem não sabe esses são Marmota e Cenoura e estão juntos aqui porque... enfim, são eles. :o)

quinta-feira, 8 de março de 2007

07/03/07 (Retorno à enfermaria da Cirurgia)

Minha intenção com este relato seria fazer com que as pessoas que o irão ler pudessem sentir pelo menos um pouco de toda a emoção que sinto quando estou fazendo visita. Mas acredito que meu poder de descrição não é bom o suficiente pra traduzir toda a magia de ser livre quando se está no palhaço e de ver nossa liberdade gerando sorrisos em rostinhos tão puros, tão inocentes, mas tão sofridos...

A visita de hoje foi feita pela Dra Fulô, Dra Marmota, Dra Mentirinha e também pelo Daniel, que foi um grande companheiro, mesmo não estando como Dr Cenoura. Ah! A pressa (como quase sempre) também nos acompanhava. Pense numa chata!

O caminho em direção às enfermarias da cirurgia foi novo... Pra mim, o caminho é fundamental. Ele nos prepara para a missão.
Nele, encontramos amigos que, ao mesmo tempo em que reconheciam a pessoa comum por trás do palhaço, mostravam sorrisos admirados conosco. Encontramos tb gente q parece desprezar nossa presença (ainda bem que esses são poucos!). No caminho, teve elevador travado por causa da imprudência da Fulô, falta de ar quando o nariz da Marmota se escondeu atrás da cabeça dela (ufa! Ainda bem q a Mentirinha conseguiu fazer a operação de recolocação de nariz com sucesso!), teve até as calças da Fulô caindo (ô bicha lesada, nã!). E teve tb, como sempre, os olhares dos pacientes adultos que estavam nos leitos enquanto passávamos pelo corredor. Quem dera a pressa não estivesse conosco e nos deixasse conhecer a cada um deles! São adultos, mas sofrem como crianças (ou até mais)...

Finalmente, chegamos ao nosso destino: a enfermaria onde estavam as crianças. Lá estavam o Welyngton (nosso anjYnho, todo cheio de manchas e feridas na pele, com a cabeça enfaixada devido à cirurgia q fez da retirada de um olho), a Andressa (q não podia falar por causa da cirurgia na garganta), o Ítalo (q tava na cadeira de rodas) e uma outra criança pequenininha cujo nome não sei, pois só sei do seu belo olhar, cheio de vida e de expressão. Um deles tinha mancha e não tinha um olho, outro não falava, outro mal podia se mexer... Quem olha por cima pensa q eu tô valorizando as enfermidades deles. Mas, ao contrário, a minha intenção é torná-las desprezíveis diante da maneira como testemunhei a imensa vitalidade de seus corações, de suas reações, de seus desejos, de suas emoções, de suas capacidades e habilidades.

O Welyngton, como já diziam o ysilonianos mais antigos, consegue fazer com que os palhaços sejam um só com ele. É uma comunhão. Primeiro, ele demonstra muita felicidade ao nos ver, aperta nossas mãos com toda força que ele tem, a qual (na verdade) não é muito grande, mas que é intensificada pelo palhaço (“Ai minha mão! Meus dedos tão quebrando! Ai, ai, ai...”). Depois, ele nos alerta quanto aos buracos existentes no chão da sala. Pra não cair tem q pisar na linha. “Mas é difícil de se equilibrar” – dizem as palhaças. “Eu te seguro. Me dá tua mão.” – ele respondia. E, com a sua grande força pequena, ele não deixava que caíssemos.
A pobre da Mentirinha, coitada, ficava com sono quando a musiquinha tocava... Aí, ela foi traída pelas suas próprias companheiras da Palhaçolândya! Tcs, tcs, tcs... Coisa feia, hein, Dras Fulô e Marmota? “Ah! Fazer o q se o Welyngton queria dar injeção de pum na boca da Mentirinha enquanto ela dormia? O jeito foi ajudar... :)”

Quando a Mentirinha se recuperou “da trama q foi tramada” contra ela, perdoou tudo e carregou o Welyngton nos seus pés; a Fulô tentou carregar a Marmota nos pés tb, mas não deu (pense numa criatura pesada!).

Mentirinha e Fulô foram falar com a Andressa. Mas a Andressa não falava... Então, as palhaças não podiam falar tb... Tinha q ser comunicação corporal. A verdade é q a Andressa se comunicava mais com o olhar. A mãe dela se divertia muito.

Aí, o Welyngton quis ser fotógrafo. Pegou o celular do Daniel e tirou foto de todos nós. Todo mundo adorou. Todos disseram X com muito gosto (devia ser Y, né?). O Ítalo e sua mãe foram muito solícitos, a Andressa tb gostou de posar, e a avó do Welyngton deixou até q a Fulô tirasse foto sentada no colo dela.

A pressa fez com q a Mentirinha fosse embora mais cedo. Mas a Marmota e a Fulô ficaram ainda um bom pedaço. Enquanto a Marmota tentava convencer a Andressa a tomar muito “combustível gelado” (pq fazia bem pra garganta dela), conversava com o Ítalo e cantava o ♫Padapadó♫ pra ele com a ajuda do Junin (Palhaço Maluco, q apareceu por lá de Dr de verdade), a Fulô era quebrada e remendada o tempo todo pelo Welyngton (e o Daniel bem q o ajudou a maltratar a pobrezinha da Fulôzinha... Snif!).

Na hora da despedida, todos perguntavam se eles iriam voltar logo. “Amanhã vcs vêm de novo?” Era duro dizer pras mães e, principalmente pras crianças, q talvez não, q talvez só na outra semana. Mas o melhor, pra Fulô e pra Nayan, foi ganhar o abraço do Welyngton, foi tão sincero...

Na volta à sala Y, Gabriela, Daniel e Nayan estavam com os corações repletos de amor e de sensibilidade, e com as cabeças cheias de experiências novas, ainda meio confusas, mas que apontavam à conclusão de que nosso trabalho é muito importante, claro que necessitado de muitos aperfeiçoamentos, mas muito importante, pois é preciso q todas as pessoas, não só os palhaços, enxerguem que há muito mais em uma criança do que uma pele manchada, a falta de um olho, uma voz muda ou membros que não se mexem...
Nayan Cristina (Dra Fulô)

sábado, 3 de março de 2007

Tá, tá, tá eu sei que está longo, mas eu precisava compartilhar com vcs a visita que fizemos! ;o)

Fortaleza, 1 de março
Hoje a visita foi especial . Conheci o tão falado anjinho do Y , q , até então, acreditávamos estar no céu. Ao saber da incrível notícia de q houvera um mal entendido quanto a sua morte, eu e a Mia fomos na Cirurgia a procura do Wellington. Já no corredor podíamos ouvir os prantos dele, que estava tendo sua cabecinha raspada. Fomos perguntar o que estava acontecendo. Câncer no olho. Ele tinha que raspar a cabeça, faria uma cirurgia de retirada no olho naquele mesmo dia. Como se já não bastasse a lenta e progressiva mutilação causada pelo xeroderma pigmentoso. Passamos alguns instantes ali observando aquela cena , que para mim, por não ter vivido situação parecida, foi chocante, não sabia como reagir. Parece que eu e a Mia, como que em sintonia pensamos a mesma coisa. Vamos trazer a Dra. Marmota e a Dra. Tampynha para visitá-lo! Dra. Fulô estava pelas redondezas da palhaçolandYa e tb foi fazer a visita. Apesar do nervosismo unânime de todas três, fomos interagindo com quase todos nos corredores do hospital ( o porteiro Sr. Otacílio comentou que nunca mais tínhamos ido ao hospital ... será que fazemos falta mesmo?!!?) até chegarmos ao leito do Wellington, que estava em um quarto com mais duas crianças (a Dieli e o Felipe). As enfermeiras , uma especial a Lili (nos recebeu mto bem!), vibraram com nossa chegada . “Vcs caíram do céu ! Hj está sendo um dia mto difícil para o Wellington ... ele vai tirar o olho ... a cirurgia será 14h.”
12h, essa foi a hora que chegamos lá , 14:00 a hora que saímos. Duas horas intensas e cheias de vida ! Isso mesmo , de vida ! Nunca vi criança tão cheia de vida. Assim que chegamos lá ele sorriu como que reconhecendo a Dra. Tampynha, que logo apresentou a Marmota e a Fulô. Com os bracinhos abertos ele nos recebeu e, estranhamente, como que puxando assunto com as doutoras palhaças mostrou sua mãozinha, dizendo que suas unhas estavam grandes! Ora, era isso que naquele momento parecia incomodá-lo ... suas unhas ! (??) Justificou que não havia dado tempo de cortá-las. A Marmota mostrou as suas (eita, estavam grandes mesmo!) e ele : “é ... até que as minhas não estão tão grandes assim !” . Daí surgiram muitos jogos. E a gente não precisou fazer nenhum esforço para criá-los.
Até que a avó dele disse que ele precisava ir tomar banho. “Olha , esperem aí, volto já, prometo, não vão embora! Sentem nessa cadeira azul!” .
Enquanto isso interagimos um pouco com as outras crianças no quarto .A Dieli (14 anos) estava com dificuldade para comer. Conseguimos convencê-la de tentar comer pelo menos um pouquinho, a Tampynha colocou um tempero mágico na comida e a Marmota ensinou um jeito marmotoso mais divertido de mastigar ! O Felipe estava um pouco sonolento, mas demonstrou encantamento com as bolhinhas de sabão.
O Welllington voltou, ainda mais empolgado para brincar. Em alguns momentos interrompia a brincadeira para limpar a secreção que saia de seu olho. Fazia isso de forma fria, naturalmente ... não reclamava de dor ou qualquer outro incômodo (Meu Deus ele ia tirar o olho! E, naquele momento, nós, sua avó e as enfermeiras ali presentes pareciamos estar mais nervosas e ansiosas que ele) .
A Fulô levou uma injeção gigante ( a bombinha de encher balões!), deu uma de pneumologista (sugava e tirava pneuzinhos das pessoas!)! Depois a injeção foi usada pela Marmota e pelo Wellington para injetar dentre puns e outras coisitas mais, trimiliques no corpo da Tampynha que só voltava ao normal qd tocava uma muzquinha. E td isso era idéia dele! “Se aqueta, menino, vc vai se operar!” Dizia sua avó.
Momento de partir, o maqueiro chegou. O rostinho dele se transformou, o que será q se passava pela sua cabecinha de menino de 7 anos de idade?
O acompanhamos até o Centro Cirúrgico, cantando, brincando, tentando fazer algo para amenizar aquele inevitável momento de tensão. Ele colocou a mãozinha no rosto ... esconder algumas lágrimas ?? Talvez ... nos despedimos com o “PApaDOpaDa ...” .
Ah! Dp que o Wellington entrou, a Marmota e a TampYnha tentaram entrar no Centro Cirúrgico ( a Espaçonave!) O maqueiro até empurrou a maca (o foguete!). De súbito, veio um médico ( vestido de alface , ou seria ervilha , abacate ??) ... as palhaças entreolharam-se, temendo uma repreensão, mas surpreendentemente o médico, simpaticamente, disse: “Já estava na hora de vcs terem chegado né!? Mtos aqui precisando de sorriso!”
Não pudemos entrar pois estávamos contaminadas ... mas foi bem diferente a experiência de termos ido ao Centro Cirúrgico e sermos recebidas daquele jeito! Foi ... recompensador! Isso! Deu mais vontade ainda de pensar em melhorar nossas visitas!
Saímos do hospital exaustas , mas felizes e revigoradas ... felize
s por termos conseguido alegrar pelo menos um pouquinho o menino anjo e revigoradas pela contagiante vontade de viver daquela criança, mais forte e madura que nós!

Dra. Marmota