terça-feira, 9 de setembro de 2014
IV Encontro de Palhaçoterapia do Ceará
Olhando esse nome dá pra imaginar que é grande coisa.
Vinte palhaçoterapeutas reunidos em um salão de festas qualquer, brincando de se conhecer melhor.
Não é grande coisa.
Não é grande coisa para a história oficial que se preocupa com os recortes da realidade dos eventos vultosos. O descobrimento de um continente, a descoberta de uma cura, a conquista de um império. Todas as ações de portas semi-abertas na cozinha das casas, no quarto dos meninos, no quintal, nas ruas de calçamento, tudo isso passa ao largo da percepção de quem escreve os livros que lemos.
Grandes nomes preenchem nossas cabeças, em ziguezague pelos nossos neurônios, cobrados em provas de vestibular. Mas, os nomes que mais importam, esses não precisamos desse esforço todo para lembrar.
Obrigado, sincera e inesquecivelmente, não necessariamente nessa ordem, a Aninha, Gabriel, Mayko, Camila, Jessika, Camis, Kaká, Xarinha, Karisse, Felipe, Bauru, Babi, Oriana, Ana Flavia, Caio, Vanildo, George, Beto, Elias, Renan, Solon, Gleidson, Guilherme, Angélica, Nirvana.
Estamos escrevendo uma bonita história, senhoras e senhores, à muitas mãos. Esperamos que os próximos encontros estes autores se proliferem.
sábado, 30 de agosto de 2014
Canal Yntergaláctico de Palhaços do Ceará
A minha felicidade é poder contar com pessoas de outras áreas que tem capacitações em coisas que eu nunca, na vida, imaginava me capacitar. Partilhar ideias que a gente fica sonhando sozinho, dissociado do mundo. Descobrir, então, que não se está sozinho e que sonhar junto propicia realidade.
- Já pensou se as ondas de rádio que emitimos pelos mais diversos canais de mídia podem ser captados por extra-terrestres. Então, pode ser que, mesmo não vencendo editais, pudéssemos ter a simpatia de outros planetas. Talvez, mesmo, estes outros planetas tomem a ideia pra si, e reinventem em suas terras. Já terá valido à pena.
Aceitaram a ideia. Talvez não por causa dos extra-terrestres, mas porque era uma ótima colocar nossas ideias nessas redes de compartilhamento para se misturar com as muitas ações do mundo à fora (fora do mundo?!) de melhorar o mundo aqui de dentro.
Ps.: O Y no título da ideia pode parecer uma autopromoção de nosso nome, como acontece em todo Y que a gente coloca nos nomes quando estamos escrevendo pensando em nosso projeto. Mas, pra mim ficou o símbolo de uma super-antena que vai mandar essas mensagens para o espaço.
Dr. Acerola
Allan Denizard
Dr. Acerola
Allan Denizard
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
De um Quadro que era quase um Espelho
Abrir os olhos e sentir o peso do mundo nas costas
Uma imensa decepção, uma doença, uma briga com os pais
Então prendemos nossas preocupações em uma jaula de grades tortas
E sentimos no coração que nossa dor é maior que a dos demais
Uma imensa decepção, uma doença, uma briga com os pais
Então prendemos nossas preocupações em uma jaula de grades tortas
E sentimos no coração que nossa dor é maior que a dos demais
Falta nesse momento uma lente colorida e um riso frouxo
Falta o caçador pra tirar o monstro que nos corrói
A solidariedade velada de quem enxerga a dor do outro
Falta o bobo da corte que te faz esquecer da ferida que dói
Falta o caçador pra tirar o monstro que nos corrói
A solidariedade velada de quem enxerga a dor do outro
Falta o bobo da corte que te faz esquecer da ferida que dói
Ato que ajuda a elevar a alma
Clarear a mente e aquecer o coração
Afeto puro e sincero que a dor acalma
A esperança que renasce e transborda emoção
Clarear a mente e aquecer o coração
Afeto puro e sincero que a dor acalma
A esperança que renasce e transborda emoção
Tem gente pequena sofrendo feito gente grande
Tem pais vendo seu mundo perder a cor
Onde infância começa a virar uma realidade distante
Precisando aprender a sentir, no gelo, calor
Tem pais vendo seu mundo perder a cor
Onde infância começa a virar uma realidade distante
Precisando aprender a sentir, no gelo, calor
Viver por um mundo onde criança pode ser criança
E que eu faça sorrir quem antes chorava sua dor
Não é ignorar a ferida, mas dar esperança
É ajudar o outro a, no escuro, enxergar o amor.
E que eu faça sorrir quem antes chorava sua dor
Não é ignorar a ferida, mas dar esperança
É ajudar o outro a, no escuro, enxergar o amor.
Dra. Kakau
Mariana Biermann
Mariana Biermann
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Era, não foi.
Era chegada a hora. Era? Não sei! Qual a hora certa mesmo?! Eu juro, estava com
tudo pronto, tudo arquitetado na minha cabeça! O nome, as roupas, o jeito, as
falas e tudo que um palhaço tem direito. Eu havia pensado com bastante calma...
pronto, era isso! Era, não foi. E a culpa não foi das estrelas, foi minha
mesmo, pensei muito, senti pouco. Ouvi falar que o palhaço precisava acreditar
no que queria passar, aquilo me inquietou a mente. Fui então buscar ajuda de um
grande mestre, não obtive resposta. Talvez, a resposta tinha que vir aqui de
dentro, afinal a “bomba” estava em minhas mãos, prestes a explodir. Perguntei a
um amigo Toddynho sabor Caju e ele disse que eu precisava sentir que era de
verdade, que era real, por mais absurdo/abstrato que fosse. Ok, a Xiva seria uma super-heroína, com direito a capa e
acessórios, queria ter todos os super poderes, não tinha nenhum, perfeito, mas a Xiva
foi ficando pesada, não se sentia super-heroína, precisava desesperadamente
sentir pra ser, ser pra sentir, alguém me ajuda?!
No dia do visytão, já
não tinha mais nada, só a mim mesma. Foi aí que encontrei uma grande palhaça,
que me fez rir e sentir com facilidade. Ela tinha uma “malamágyca” cheia de
coisas perfeitas para palhaços com medo, sem freio, tempero, recheio ou em
desespero (no meu caso era tudo junto mesmo). Insistia em olhar para um vestido
vermelho “meio” vinho que estava bem evidente, era novo, mas tinha cara de
antigo, meu fascínio por coisas antigas apitou e....
- Não paro de olhar
pra esse vestido, posso usar?
- Claro que pode!
-E essas meias? Essa
leg também? Gostei desse chapéu!
Não lembro o que a palhaça sabida respondeu, mas foi algo
positivo. Algumas coisas a mais, outras a menos, a senhora xyvva estava
chegando! Ouvi que estava parecida com uma mãe, de fato, boa parte da minha
essência é essa, ufa.
Foi dada a largada, olhava para cima, respirava fundo e
pensava: “calma, lembra da fila, pular junto, ocupar espaço, estímulos, tríade,
sim pro jogo, pensa, não pensa, separa da realidade ou não?!” Então, vejo uma
menininha que pouco conseguia dizer seu nome, mas seu corpo todo falava por ela,
imediatamente, ela se inclinou um pouco para nos ver. Que olhos expressivos e
lindos ela tinha, impossível não lembrar os olhos de uma certa Maria que
encanta meus dias. Aii, esqueci tudo (como se eu lembrasse de alguma coisa)!
“pera, é...vai você consegue! Pula, salta, joga o cabelo, corre, fala alguma
coisa!”, só consegui dizer o quanto ela era linda, mostrei o porco sabido que andava comigo e ela sorriu.
O jogo não parou por ali, continuou por um bom tempo. Vi um pequeno menininho
que adorava soltar bolha, esbarrei na menina sapeca que tinha espelho mágico,
encontrei uma princesa que adorava a branca de neve. Entrei em um quarto cheio
de crianças grandes, trilhando o caminho de sua adolescência, no auge da
juventude (xyvva é velha..), que medo! Disseram ter visto a Xyvva no 190, “muito bem, obrigada, mas acho que
você confundiu o canal”, no fim a Xyvva
tirou foto e ganhou abraço!! Fui correndo pra outro espaço, quer dizer,
a Xyvva. Ou era eu? Não sei. Cantamos Dora, Frozen e quando nos demos conta já
era hora de ir. "Diz a lenda que quando o sol se põe o palhaço vira vento!" disse o Dr. Noya/pixilinga enquanto a Dra. Mysqui concordava, "e mais, ele tem que andar de jumento comendo
cimento, nããão!" Xyvva completou. Tínhamos que correr bem rápido antes que o
sol dormisse, questão de vida ou vento! “Filha, você tem que tomar banho” disse
uma mãe, aquilo soou tão familiar. “As princesas mais belas do reino encantado,
tomam banho todos os dias sabia?!” Disse a Xyvva, já agachada olhando o belo
semblante daquela menina, ela sorriu e correu, queria tomar banho. O sol estava
indo embora e junto com ele, todos os
palhaços, Xyvva sabia que precisava ir
também e foi. E tudo já não era mais o
que eu pensava que seria, foi outra coisa. Não era, foi.
Dra. Xyvva (“x” de xixi, “y” de..é..hum..Y!, “v” de vai, “v”
de volta pra “a” de araraquara)
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Sobre uma mudança de lugar, olhos fascinados, memórias quentes e Y's por um dia (por um dia?)
-Gente, quem quer ser da comissão do Ypud?
- O que é Ypud? perguntei, ignorante
Lembrei de 2013. Ano que entrei na faculdade. Um primeiro semestre MEGA conturbado, um mundo novo, morar sozinho, se adaptar, novos amigos, nova casa, nova cidade, mil nomes de ossos pra lembrar e... BUM! Eis que surge a possibilidade de me juntar, nem que só por um dia, à turma dos caras descolados que se vestiam de palhaço e iam visitar as crianças no hospital. "ér... EU QUERO!"
Depois, nas dinâmicas, vi várias criatividades absurdamente diferentes nos instigarem com jogos que até então não tínhamos pensado. Ou pelo menos eu não tinha pensado. E, teoricamente, eles não passaram por capacitação alguma. Provavelmente não foram estimulados a "escovar os dentes no nível 5" antes. E mesmo assim fizeram-no com toda a des-maestria que um bom palhaço poderia ter. Uns mais que outros, é claro. Alguns eram mais tímidos e retraídos. Mas todos pareceram se divertir com aquilo. Todos me fizeram rir gostosamente.
Lembro agora, enquanto penso no título pra esse texto, de algo que escreveram quando eu entrei no Y. Algo que EU VI, com meus próprios dois olhos que ostento embaixo dessa testa gigantesca.
Obrigado pelos olhares, sorrisos, dúvidas e por me conectar ao Dr Carequinha que eu tinha esquecido lá em 2013, cheio de dúvidas, medos, improvisos e lágrimas depois de uma música e um "Obrigado" materno.
Por me conectar ao Mayko e ao Caju, igualmente cheios de dúvidas, medos e de todo esse rico resto.
Obrigado pelas memórias quentes.
Espero que vocês desfrutem cada segundo da visyta. E que cada segundo disso mude completamente o dia, ou melhor, os dias de vocês assim como mudaram os meus. Assim como ainda mudam os meus.
Um abraço bem grande e apertado. Com gosto de muito obrigado, conforto e "vai dar tudo certo".
Vai dar tudo maravilhosamente certo!
- O que é Ypud? perguntei, ignorante
- Y por um dia, Mayko. Sussurraram, em resposta.
- Ah, valeu... ér...EU QUERO!
Na época agi por um impulso meio doido. Tinha acabado de chegar no projeto. Afinal, o que eu queria ajudando a coordenar uma das principais atividades do Projeto? Sei lá.
Colocaram o meu nome.
Fiquei feliz.
Lembrei de 2013. Ano que entrei na faculdade. Um primeiro semestre MEGA conturbado, um mundo novo, morar sozinho, se adaptar, novos amigos, nova casa, nova cidade, mil nomes de ossos pra lembrar e... BUM! Eis que surge a possibilidade de me juntar, nem que só por um dia, à turma dos caras descolados que se vestiam de palhaço e iam visitar as crianças no hospital. "ér... EU QUERO!"
E deu certo, na época. Aliás, deu muito certo.
Na época também foi impulso (afinal, estamos falando de mim). Eu mal conhecia o projeto e não tinha ideia da dimensão do que aquela experiência significaria. Mesmo assim, parecia uma ideia legal.
"Puts! Esqueci que eu sou péssimo pra ser engraçado --'
"Puts! Esqueci que eu sou péssimo pra ser engraçado --'
Tudo bem... eles disseram na apresentação do projeto que não precisava ser engraçado. Se tudo for muito mal, eu congelo lá na hora ou saio abraçando as pessoas e distribuindo bom-dias (obrigado ABS-1)."
Enfim, dando certo, fui pra capacitação. "Caraca, já vou pro hospital próxima semana D: "
Da capacitação em si lembro de pouca coisa, pra ser bem sincero. Slides sobre "how-to-do", coisas que poderíamos enfrentar e dicas bem gerais. Lembro mesmo das dinâmicas. De um abraço apertado e demorado no escuro. De andar feito doido, sem direção nenhuma, ocupando os espaços. "Que coisa abstrata e doida é essa?". Lembro de ter saído com o sentimento de "meu deus, o que vai ser dessa bagaça? Esse treco vai dar certo não. Aprendi quase nada ):" Mal sabia eu que tinha aprendido tanto. Ou não, né? Enfim.
Da primeira visyta: um palhaço com nome improvisado de últimos 10 minutos e uma gag que falava muito mais sobre mim do que eu suspeitei, na época. Uma criança que tinha acabado de convulsionar. Eu, de frente com mãe e com criança pós-convulsionada que não parava de chorar. Flauta transversal na mão. Colocando toda a minha concentração em dedilhar uma música alto o suficiente pra ser ouvido e baixo o suficiente pra não perturbar a criança. A criança para de chorar e dorme. A mãe me abraça e diz obrigado. Eu chorando, emocionado, só um pouquinho no corredor antes de voltar pra dançar "Ah Lek Lek" com umas crianças hiperativas. Chegar em casa morto de cansado e tendo certeza que tinha vivenciado uma das coisas fantásticas que a faculdade poderia me proporcionar.
Da primeira visyta: um palhaço com nome improvisado de últimos 10 minutos e uma gag que falava muito mais sobre mim do que eu suspeitei, na época. Uma criança que tinha acabado de convulsionar. Eu, de frente com mãe e com criança pós-convulsionada que não parava de chorar. Flauta transversal na mão. Colocando toda a minha concentração em dedilhar uma música alto o suficiente pra ser ouvido e baixo o suficiente pra não perturbar a criança. A criança para de chorar e dorme. A mãe me abraça e diz obrigado. Eu chorando, emocionado, só um pouquinho no corredor antes de voltar pra dançar "Ah Lek Lek" com umas crianças hiperativas. Chegar em casa morto de cansado e tendo certeza que tinha vivenciado uma das coisas fantásticas que a faculdade poderia me proporcionar.
Mas esse texto também não é sobre isso.
Esse ano, membro do projeto, a capacitação dos Y Por Um Dia foi diferente. Ou fui diferente? Tanto faz. Provavelmente os dois.
Mas dessa vez eu tava lá na frente, perto dos veteranos que apresentavam a capacitação. Meio inseguro por ter acabado de chegar e já estar ali. Meio feliz por ter acabado de chegar e já poder estar ali. E ninguém agiu como se eu não pudesse. Na verdade, era tão normal pra todo mundo eu estar ali que me assustava, um pouco. Mas esse também não é o ponto.
O ponto é que estar ali, mudando completamente de local em apenas um ano, foi um plot twist muito irado. E dessa vez, andar aleatoriamente pela sala, se permitir dançar e vestir o nariz tinham significados enormes pra mim. Absolutamente enormes. Eu sentia muito mais tudo aquilo. E isso era muito bom.
Melhor que tudo isso, porém, era ser plateia de uma dúzia de desejos que assistiam a gente falando. De uma dúzia de cabeças balançando entusiasmadas, ou bocas sussurrando "sim's" e sorrisos de empolgação se abrindo cada vez que a gente falava sobre sensibilidade, ou sobre os sorrisos das crianças, ou sobre como é forte a conexão que se estabelece com elas. Definitivamente, a melhor parte de tudo foi ser plateia desse sentimento que eu vi tão forte neles. Aquilo me inspirou muito. Muito.
Depois, nas dinâmicas, vi várias criatividades absurdamente diferentes nos instigarem com jogos que até então não tínhamos pensado. Ou pelo menos eu não tinha pensado. E, teoricamente, eles não passaram por capacitação alguma. Provavelmente não foram estimulados a "escovar os dentes no nível 5" antes. E mesmo assim fizeram-no com toda a des-maestria que um bom palhaço poderia ter. Uns mais que outros, é claro. Alguns eram mais tímidos e retraídos. Mas todos pareceram se divertir com aquilo. Todos me fizeram rir gostosamente.
"Cara, colocar o nariz é muito irado, saca? Eu me senti muito diferente" Disse um deles.
"Meu deus, que fantástico!" pensei. "Eles já sentem isso desse jeito? Essa liberdade? Esse poder incrível que eu descobri no nariz a tão pouco tempo..."
Talvez eu que seja lento demais, mas, na minha época de YPUD, o nariz era mais um crachá do que um "Eu me sinto tão diferente". Vim acessar esse sentimento a poucas semanas atrás.
Ver eles sentindo e se permitindo, com o nariz, me fascinou.
Me fascinei com a arte que eles tinham dentro deles.
Me fascinei com os olhares de fascínio com os quais eles olharam pra nós quando, na verdade, eles estavam fazendo o maior espetáculo.
Talvez eu que seja lento demais, mas, na minha época de YPUD, o nariz era mais um crachá do que um "Eu me sinto tão diferente". Vim acessar esse sentimento a poucas semanas atrás.
Ver eles sentindo e se permitindo, com o nariz, me fascinou.
Me fascinei com a arte que eles tinham dentro deles.
Me fascinei com os olhares de fascínio com os quais eles olharam pra nós quando, na verdade, eles estavam fazendo o maior espetáculo.
Me senti tão coadjuvante. E isso foi tão bom. Mesmo assim eles nos olhavam como se olhassem pra grandes clowns. Ri disso a semana toda. Lembrei que já tive (e que ainda tenho) esse olhar pra muitos dos velhos. Lembrei que alguns dos velhos que estavam lá na frente comigo dessa vez, também estavam no meu tempo de YPUD, a long time ago, no ano passado.
Memórias quentes.
Memórias quentes.
Lembro agora, enquanto penso no título pra esse texto, de algo que escreveram quando eu entrei no Y. Algo que EU VI, com meus próprios dois olhos que ostento embaixo dessa testa gigantesca.
"Não precisa estar no projeto pra ser Y"
A dúzia (ou pouco mais, desculpem a falha na matemática) que eu vi, na quinta feira, são Y desde sempre, muito provavelmente. Eles tem o Y dentro deles.
Com certeza, tem.
Com certeza, tem.
Ouso dizer que penso que ser Y não se resume a ir de palhaço pro Hospital. É mais sobre o SIM constante ao jogo. E o jogo tá por toda parte. Eles não são ou serão Y só por um dia, no fim das contas. Já carregam o Y dentro deles, deus sabe a quanto tempo e por quanto tempo mais. E talvez o verbo correto nem seja Ser, mas Ter. Visto que o Y é algo que antes se carrega consigo, para depois se fazer Ser.
Mas enfim, isso é divagar.
Obrigado, YPUDs, por renovar o meu Y.
Por me mostrar o Y de vocês.
Obrigado pelos olhares, sorrisos, dúvidas e por me conectar ao Dr Carequinha que eu tinha esquecido lá em 2013, cheio de dúvidas, medos, improvisos e lágrimas depois de uma música e um "Obrigado" materno.
Por me conectar ao Mayko e ao Caju, igualmente cheios de dúvidas, medos e de todo esse rico resto.
Obrigado pelas memórias quentes.
Espero que vocês desfrutem cada segundo da visyta. E que cada segundo disso mude completamente o dia, ou melhor, os dias de vocês assim como mudaram os meus. Assim como ainda mudam os meus.
Um abraço bem grande e apertado. Com gosto de muito obrigado, conforto e "vai dar tudo certo".
Vai dar tudo maravilhosamente certo!
Inté!
Não morram!
Não morram!
Mayko - Caju
domingo, 17 de agosto de 2014
Hoje, você palhaço, desejo-te AZAR!
Hoje, você palhaço,
desejo-te azar!
Sim, azar, e não um “bom”
ou “mal” azar. Azar.
Mas também não qualquer
azar, falo de um azar grandioso e fabuloso como falam os atores e atrizes entre
si momentos antes do espetáculo, “merda
pra você!” ou como o singelo desejo também expresso entre eles, “quebre a perna!”. Se lasque. Ah, e
jamais agradeça esse mantra francês, cale-se
ou deseje mais merda ainda a
quem lhe desejou previamente.
É incrível o que se pode tirar do azar, do fracasso. É
simultaneamente crível, já que não é
inacreditável, pelo contrário, é que nos faz acreditar. É dessa lógica que
parte o palhaço, o fracassado mais bem sucedido de todos
os tempos. O feio mais belo de todas
as eras. O bizarro mais.. ou melhor,
substituam esses “mais” por “menos”, um menos bem grande e rememorável. O Palhaço é menos que
qualquer coisa, mas desse e nesse menos
ele é mais, muito mais, mais do que si mesmo e mais do que o próprio corpo. O espaço
por ele se faz mais, os objetos
agora são mais, os outros se tornam
mais, bem mais.
E que belo, que elegante,
eu diria. O palhaço não, ele diz
“que feio mais belo..” o que recai novamente no interminável mais-menos,
mais-mais, menos-mais. Menos qualquer coisa, então! Menos qualquer um! O
palhaço mexe e espalha o Menos, se borra com ele, se suja, se embaça em magia, desloca e é deslocado, se engasga com graça
e se sufoca risivelmente.
E quão ridículo é isso! Quão bom é isso,
então! “Bom” não.. Que azar isso!
E assim nasce o que desde
sempre se germinou, mas talvez se fizesse imperceptível. Um encontro, uma paixão, um encantamento.
InTensidade...
Não apenas. Tensão... Não apenas. Duração sensível...
Eu, ou qualquer outro, vos declaro indeclaráveis. Nariz, pode beijar
o palhaço.
E que sejam sensíveis, mas também não para sempre. Para sempre, apenas sejam.
Sejam como e
o que quiserem ser. Peço-lhes apenas sensibilidade.
Da forma em que surja, sinta e
tenham coragem de sentir.
“Tenha coragem de ser atravessado pela música, de ser
corpo e dança na vida, nos instantes.”
Dr. Chico Tetéu, Beto.
Dois em um, ou um em dois... Espero nunca descobrir o
início de tudo isso.
Merda!
“Que todo corpo seja dançarino e todo espírito se converta em um pássaro”.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Eu, eu mesma e Felícia
Chegou o tão esperado sábado. Tão
corrido aliás. Cheguei de uma reunião, engoli o
almoço, entrei na roupa, voei no carro, busquei o Sebbe e encontrei e me
encontrei no Sabin. Encontrei nos dois sentidos: 1º porque não sabia nem onde
era e 2º porque encontrei alguém muito especial lá, dentre muitas pessoinhas
especiais.
Saí do carro, respirei fundo e vesti
a saia – do são joão de 1900 e me esqueci – com uma sensação de que ou eu
estava abafando ou alguém ia chamar o Esquadrão da Moda pra mim com urgência. Entrei
no hospital e fui percorrendo aquele labirinto quase sem saída. Minha sorte é que
fui guiada até chegar naquele cantinho, lá longe, no fundo do hospital, com
cheirinho de pancake.
Parecia que todos ali estavam se
arrumando para uma festa: “Ei, cadê o lápis?” “Tá muito exagerado?” “Meu cabelo
tá legal?” “Ai, tua roupa tá linda!” “Me dá um cantinho do espelho?” “Estou
ansiosa (o).” “Isso daqui combina contigo, testa!”. Todos prontos e reunidos
para dar início ao novo: colocamos o nariz e de repente não éramos mais nós.
Confesso que ainda o coloquei antes, mas depois caiu a ficha da desconsideração
que tive naquele segundo com minha clown e depois, no momento certo, deixei ela
vir a mim. Nariz posto, no devido tempo e, enfim, era a Felícia ali. Calada a
princípio, mas era ela. Pés aos 130º graus, cabelos assanhados, rosa presa ao
jaleco, fita nos calcanhares, tranças para cima, bolhas de sabão num bolso e
termômetro no outro.
Chegamos no primeiro corredor e
uma mãezinha de resguardo sozinha estava sentada no banco. Ela parecia com dor
e cansada, mas ria na nossa presença, quase se desculpando por não poder trocar
muitas figurinhas com a gente naquele momento. Felícia compadeceu daquela dor, pois
estava de resguardo também e já estava com outro encomendado naquela barriga de
tanto comer chocolate e coxinha.
Dobramos o corredor e mais gente.
Um senhorzinho namorador tinha duas
alianças no dedo: uma da noiva e outra da esposa. A noiva estava lá, sem
aliança mesmo porque tinha cansado da situação, porque enfim, né... cabra
safado! Felícia indignou-se, reclamou por tamanha safadeza, foi andando e parou
em frente à porta de uma sala. Os outros amigos dela ficaram lá brincando, mas
eu a peguei parada uns 10 segundos observando uma garotinha de cabelo toim
toim, de fralda, uma blusinha de algodão, pezinhos descalçados e a mão segurando
a da mãe, que estava com uns exames e uma mochilinha rosa. As duas não pareciam
muito bem e a Felícia queria ter feito algo, mas a porta se fechou.
Voltou a andar e se deparou com seus amigos
futricando uns aparelhos de fazer desejos e o Caju desesperado tentando se
soltar de um dos seguranças. Sofreu, puxei ele até que ele se
livrou, ufa! E desejos? Bem... não foram realizados nenhum, nem o do abraço. Sem
problemas pois fomos compensados com um pedido de foto para os 876587 sobrinhos
de uma tiazinha que nos barrou no corredor. Naely, Noemi, Nathanael... e por ai
vai. Na outra sala, mais fotos! Porém, o que a encantou mais na sala foi o
Oliver Canudo (senti uma certa empatia já que sou uma Toddynho, mas era Canuto o sobrenome dele na
verdade...erraram a etiqueta!), sentadinho na cadeira de rodas . Um príncipe
todo! Felícia conversou com ele achando o máximo, mesmo quase não o ouvindo
contar a parte da história das havaianas lilás – iguais às que a Felícia tinha
em casa-. Ela teve que ir, mesmo querendo ficar um tempão com ele lá.
Beijou-lhe a testa e saiu.
Um amontoado no corredor estava feito mais na
frente: era o Tetéu queixando a pequenininha e ela o negando até o fim. O irmão
mais velho dela estava agarrado na mãe, não queria saber da pobre Felícia, até
o momento em que perguntou baixinho pra mãe: “Eles vão dar meu presente?”. Ela
até quis dar bolhas de sabão, mas não saíram bonitinhas. Sua amiguinha, mais
esperta, teve uma ideia melhor! “Prepara: 1, 2, 3... ABRAÇO J”. No meio do sufoco
ainda vi um sorrisinho despontando da boca, que já valeu. Fomos para o elevador
. Plim! Chegamos no primeiro andar. “Vamos, mais um pra esse andar!”. Felícia
na porta do elevador, sem reação, quase com medo de ir para aquele funil – lá em baixo vários palhaços, no 1º
andar só 3-. Quase num empurrão, caiu de vez no 1º andar. Na primeira sala estava a Alice nos braços da mãe, não focava
nem um segundo no olhar de Felícia. Seus pais riam das tentativas frustradas em
arrancar-lhe um sorriso, mas eis que percebeu que ela estava cansadinha demais
para sorrir. Felícia pulou para o outro lado da sala, onde o Henrique estava.
Ele não estava com a carinha mais alegre, mas olhou para a Felícia. Demorou
para ter uma conexão com ele, mas deu certo. O termômetro não serviu, a piada não
fez nem cócegas nos ouvidos mas eis que a bolhinha de sabão arrancou uns
sorrisos tímidos. Soltaria fogos das mais variadas cores se eu os tivesse ali,
eu usaria aquela bolhinha até o fim ou até pelo menos ele se animar para tomar
o suquinho. Felícia deu uns cheiros nos pés dele, ele gostou até.Porém tive que
ir.
Um salão no meio do corredor
estava a Vitória, a Fátima e um pequenininho da voz rouca – quase o coloco no
bolso de tanta fofura. Ele abriu um livro de contos da Disney e apontou pro
adesivo do Patati, dizendo que a Felícia parecia com ele. Logicamente que ela
se defendeu apontando para a Alice no País das Maravilhas - meu conto favorito- e isso gerou a discussão de quem era quem no
livro. Depois de designados os personagens de cada, sobrou até pra enfermeira
ser o hipopótamo do Madagascar... tadinha. Já volto para essa sala, fui em
outra.
Uma bonequinha estava na primeira
maca da esquerda assim que entrei: a Emilly. Uma vozinha tão linda, quase que
não saia dos pulmões, mas que era doce o suficiente para me prender ali. Olhos
tão grandes pintados de sombra azul e as bochechas de rosa. Seu corpinho não
vale a pena aqui descrever, mas estava sofrido demais. Deitou a cabecinha na
mesa por cima do braço e ficou a conversar com a Felícia. Logo mais estavam amigas,
até sua mãe entrou no papo. Ela pediu que pegasse seu caderno de desenho e os
mostrou, cada um mais lindo que o outro! Eu até desenhei uma bonequinha
parecida com ela segurando a cachorrinha (a dela que havia falecido há um
tempo), pra que fosse pintado depois. Seu pai não estava lá, pois era circense
e trabalhava em Recife, mas a mãe falou que ele era o autor dos desenhos perfeitos
(e eu aposto que do sorriso delas também). Dei um “alô” para as outras crianças
do quarto, ganhei até uma pastilha com o miolo de coração de um danadinho que
depois saiu correndo atrás da gente e foi dizer que estava com frango no meio
dos dentes. É, ele além de querer me morder, era comedorzinho de frango com
farofa. Já me despedindo fui na varanda cumprimentar um casal e um rapazinho.
Felícia tirou o boné do careca, deu uma lambida na mão, ajeitou os fiapos
grisalhos e colocou o boné para trás – por questão de estilo e bom gosto-. A
senhorinha só ria da situação e ainda lá fora disse “Ow, deixe meu carequinha!”.
Ai, o amor é lindo. Só o amor. Brincadeirinha. O rapazinho não falava, mas se
mostrou mais eufórico e feliz com a nossa presença. Dei um “oi” quase sem saber
como pronunciar, tentando me fazer entender. Espero que ele tenha nos sentido
um pouco.
Felícia foi se despedindo e, como
boa e higiênica palhaça é, foi colocar álcool em gel nas mãos mas “Eiiii, isso
é sabonete!”. Começaram a rir. A mocinha da outra maca se levantou e foi me ensinar a usar a torneira misteriosa. Quase uma mágica
para fazer descer água, e a cada jato era uma alegria só. Mãos limpas e dando “tchau”.
De volta para o salão do corredor, ajudei a
Vitória a fazer um desenho. Fiz três borboletas: a Felícia, a Vitória e a Fátima. No final ela
entregou para Fátima, que estava só de visita. Fui saindo e ganhei um abraço
daqueeeeeles gostosos delas duas. O pequeno da voz rouca se despediu com um
beijo na minha mão (Felícia pedia 10 beijos toda vez que passava por ele). Vomitei
arco-íris. Ele se engasgou e tossiu muito – meu coração trancou na hora-, o
alívio veio com ele vomitando um pouquinho e se acalmando. Todo mundo vomitado e
feliz mas tive que ir embora. Opa, o danado do frango no dente quase veio
correndo com a gente também. Por mim eu saia correndo com ele, mas já estava na
hora da Felícia se recolher então tive obedecê-la. Descemos pelo elevador. Um
tiozinho escutava o jogo no fone de ouvido. Coloquei o fone também. Tirei uma
com a cara dele e ele, que não era besta, tirou uma com a minha também. Nem
lembro direito o que era, mas ele pediu desculpas no final, e a Felícia só
desejou um bom jogo. Foi engraçado.
Felícia saiu pelo corredor,
soltando beijos e saltitando até chegar no cantinho com cheiro de pancake.
Estava com mais cheiro de alegria. Estava com tanta pressa para ir para outro
canto que desfiz a Felícia, joguei suas roupas no saco e saí. Cansada,
descabelada, pés aos 100º graus, de calça jeans, saco numa mão e a bolsa na
outra. Pelos corredores eu só percebia os olhares me reconhecendo, sorrindo e
dizendo “Manda lembranças para a Felícia, pois ela deixou um pedaço dela nascendo
aqui”. O resto do dia? Foi bom demais! Eu me senti uma criança contando o
primeiro dia na escola para todo mundo. De fato, tenho muito o que aprender com
a Felícia. A cada dia eu procuro ter uma relação harmoniosa de mim comigo
mesma. Porém dizem que a perfeição é trina, não é mesmo? Então, vamos viver as
3 em uma só: Eu, Eu mesma e Felícia. Foi
encantador conhecer a Felícia e ver o quanto ela exala a Letícia adormecida,
tanto é que nos confundi várias vezes no texto.
A parte augusta da Letícia sendo mais branca na Felícia e a parte branca
da Letícia sendo augusta na Felícia. E
tudo que é estímulo vai sendo saboreado, vivido e sentido. A cada momento.
Prazer em te conhecer e em ti viver,
Felícia!
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