segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

O que é o Y?



Aconteceu na sala de Quimioterapia, com a Dra. Quinam, Dr. Manjericão e a paciente Maria, de 16 anos.


O casal de palhaços adentra a sala lotada e Dr. Manjericão esquece o primeiro mandamento do cavalheirismo: damas primeiro. Dra. Quinam tem forte acesso de mágoa que a leva a um grande desabafo em meio aos pacientes. Entre choros e lamentos a paciente Maria pergunta:


- Por que você não se mata?


A artista por trás da máscara pensou por um segundo e resolveu encarar o tema da morte na frente das crianças. Enbarcou naidéa de Maria concordando que essa seria a única solução para TAMANHA tragédia. Após decidir com os presentes a melhor forma de suicídio, subiu em um banco pronta para se jogar no abismo. Neste momento, Dr. Manjericão começou a tocar seu violão e cantar: "Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é ela menina que vem e que passa, num doce balanço a caminho do mar..."


Manjericão tentava fazer sua parceira mudar de opinião enquanto Quinam, na sua idéia fixa de suicídio, pronunciava seu testamento. Devagarinho, um coro de vozes foi aparecendo e a "Garota de Ipanema" tomou conta da sala. Enfermeiras pararam seus afazeres para ajudar com suas vozes. Dra. Quinan, claro, desistiu do suicídio para se reconciliar com Manjericão.


E a bossa foi esta: em cima da cadeira ou a beira do abismo, em qualquer limite que se trace entre realidade e fantasia, vale a pena arriscar um espaço para falar das coisas da vida.


(trecho editado do relatório de atividades da artista Marina Quinam, integrante dos Doutores da Alegria)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

VYSYTA DE NATAL AO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO !


Um dia espontaneamente, improvisadamente, deliciosamente, incrivelmente, emocionantemente (existe?!), engraçadamente, ypsiloniamente, natalmente, verdadeiramente .... especial !!! Com direito a Papayaço Noel de barba pÔde a laranja , uma tentativa de trenó :o) e tudo ! Valeu todos os doutores payaços que se fizeram presentes !


Felyz Natal e Um Ano novo bem Y e bem mais FelYz para todos nós !!
comprimidos bem apertadinhos e esprimidos !!!
Dra. Marmota

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Doutor, você pode me ouvir?

Arte feita, um tanto atrasada, em prol do movimento que o Y participou 'por uma medicina mais humana'. É como diz o Humberto Maturana:

"O conversar é um fluir na convivência, no entrelaçamento do linguagear e do emocionar. Ou seja, viver na convivência em coordenações de coordenações de fazeres e de emoções. Por isso é que digo que tudo o que é humano se constitui pela conversa, o fluxo de coordenações de coordenações de fazeres e emoções. Quando alguém, por exemplo, aprende uma profissão, aprende em uma rede de conversações."

Ele quer dizer que o ser humano é eminetemente dialógico, dialogal...

Dá mó valor uma conversa!

Mas, como a medicina gosta muito de dar ordem para ordenar o que se desordenou, acaba esquecendo a via de mão-dupla e se torna o que o ser humano se torna sem diálogo: um não-humano. Eis um dos pontos da tal humanização médica.

Há muitos outros pontos e muitos outros pensadores que poderíamos citar, como também há muito tempo pela frente pra fazer isso. Vamos homeopaticamente... aliás, o Samuel Hahnemann, criador da homeopatia, foi um desses que defendeu uma medicina mais humana e fez do diálogo com o paciente um dos grandes motes da medicina homeopática.

Quando ele fala sobre "o semelhante cura o semelhante" contrariando lá o Hipócrates no seu "o contrário para o contrário" pode-se ver nisso, numa extrapolação sublime, muito mais do que uma proposição teórica de remédios, um mandamento moral de relação humana.

- Quem vai te curar será um semelhante teu, nem maior, nem melhor.

E, embora Hipócrates tenha querido diminuir as justificativas sagradas da doença dizendo que...

quem joga um manto de divino sobre ela o faz para que sua ignorância não seja manifesta...

o fez tirando o dom da cura das mãos dos curandeiros populares para deixar, imponente, nas receitas dos deuses de consultório.

Vá lá que realmente havia muitos curandeiros charlatães, como ainda os há. Vá lá que o divino foi muitas vezes usado como uma ignorância a seduzir ignorantes, como ainda o é. Mas, todo o processo de tirar o divino do ato de curar deixou a medicina bem humana, no sentido do qual queremos nos afastar. Com sua sede de verdade, de domínio, de poder. E, bem ao contrário do que os curandeiros são, o médico é um ser bem distante do povo, enredado em torres de concreto.

Queremos uma medicina humana, mas não qualquer tipo de humana, um tipo especial. Queremos uma medicina divina, mas não aquele divino que esmaga, um divino sem igual. Um que desça do seu céu para lavar os pés dos seus. Então, cito um último pensador por hora, mais poeta que pensador:

"Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo."

Não vejo como o primeiro mandamento possa ser semelhante ao segundo a não ser que esse Deus aí seja semelhante ao próximo.

Se devemos ouvir a Deus, ao próximo é um bom começo.

Pela dyvynyzação da medicina!

Allan Denizard

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Eram os olhos...

Eram duas palhacinhas (ou seriam palhaçonas????) mais uma vez atrasadas correndo pelo hospital, que apesar de sempre prometerem não fazer barulho, já chegavam com o timbal na mão, fazendo batucadas e cantarolando musiquinhas.
Enquanto elas gastavam toda sua energia, que para ambas parece não ter fim, ouvia-se um som, talvez o som mais desanimador de todos nas suas visitas. Não é o choro de uma criança, este é só um desafio que as instiga a transformá-lo em outro som, o emitido por uma gargalhada. O som era o chefe. Aquele que diz por hoje é o fim; aquele que as tiram de um mundo paralelo, um mundo de sonhos, de alegria, a “Terra do Nunca”, uma dimensão talvez só conhecida pelas crianças e palhaços; aquele que diz é hora de voltar para realidade; aquele capaz de trazer um pouquinho de tristeza para o rosto de todos que estavam naquele mundo. A ordem que, infelizmente, deve ser cumprida.
Xyxyryca, como sempre não atendia ao chamado do chefe, deixando Cartola louca. Cartola tentava, tentava, tentava, mas a Xyxyryca é teimosa. E depois de muito, mas muuuuuuuito tempo, Xyxyryca saía da pediatria com um sorriso na cara, o sorriso que Cartola já conhecia bem, que diz aprontei outra vez. Equanto as duas corriam mais uma vez atrasadas, Cartola correndo o triplo que Xyxyryca, ouviu-se um novo som.
“Ei, palhaços!!! Palhaço?!?! Tem algum palhaço aqui?!?!” Talvez seja esse o bordão do Y, mas é essa pequena brincadeira que mostra que ele está sempre pronto para interagir. Em pouco tempo elas descobriram que havia um aniversariante ali. Mas e o chefe?? Ah! Que chefe?!?! Ambas estavam de volta ao mundo delas.
Elas foram então arrastadas. Cartola estava totalmente perdida. Ela nunca estivera naquele lugar antes. Ssshhh!!! É aqui! E naquele clima de silêncio, surpresa e ansiedade, elas entraram no leito cantando Parabéns!
Os olhos do aniversariante brilhavam e transmitiam a felicidade que ele sentia naquele momento. As palhacinhas cantavam e batucavam todas as músicas de parabéns que elas conheciam. E logo apareceram várias máquinas. Foto, foto, foto!! As palhacinhas, como num reflexo, se colocaram ao lado do aniversariante e fizeram pose. E ele, tão feliz, fazia carinho nelas. Cartola também queria registrar aquele momento, era um momento de felicidade plena, e pediu para baterem uma foto no seu celular. Todos estavam bastante felizes. Talvez as pessoas não saibam como um sorriso é importante para a felicidade daqueles palhacinhos que levam alegria para os outros. Não saibam que tudo não passe de uma troca, uma transmissão de felicidade mútua e como os palhaços tiram sua energia de um sorriso.
Naquele caso, contudo, eram os olhos. Eram os olhos que brilhavam, os olhos que transmitiam uma boa energia. E não importava o tamanho daquela pessoa que olhava as palhacinhas. Eram os olhos inocentes e alegres de uma criança. Cartola e Xyxyryca retornaram mais uma vez de sua visita, não houve tempo perdido, mas sim a sensação de felicidade e missão cumprida.

Carla Oliveira

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

quarta-feira, 10 de outubro de 2007


Quase que não está dando pra visitar nas quartas-feiras. Normal desculpa para nós, não é mesmo? Cada vez que os semestres vão passando, o nosso tempo parece encurtar e os dias parecem menores. Às vezes dá vontade de desistir e de deixar de fazer o que a gente gosta só pra não ficar tudo tão atrasado. Mas hoje percebi o quanto uma visita renova! Depois de três semanas sem ter tempo de visitar, entrei na sala Y e tava a Marmotinha, a Metidinha e a Fulô quase prontas! Minha reação foi pedir pra elas esperarem, queria ir também!! Me arrumei rápido, a roupa da Lalita é fácil de vestir. Não é que dessa vez a sobrancelha não borrou? Só o cabelo que tava mais curto que o normal, e o João Lalinha tava mais menino que menina! Não tinha rosa no cabelo, nem maquiagem que desse jeito! Mas na verdade nunca teve jeito de deixar a Lalita menos João Lalinha, ela é assim..
A Dra. Fulô não queria ir. No meio do caminho parou e disse que não queria ir. Mas por quê? Não sei até agora, cada um tem seus motivos. Acabou indo, depois das Payaças insistirem, ainda bem, acho que tinha alguém esperando por ela.
No caminho, a platéia de sempre estava na frente do hospital, esperando. Esperando, esperando, esperando. Todos os futuros pacientes sentadinhos, velhos, novos, criança, adulto, bigodudos, gordinhos! Gente de todo jeito. Sabe, estou quase convencida que eles esperam mesmo é algum palhaço desorientado passar. Coitadinhos!
Na Pediatria, alguém chama: Ei, palhaço!! A Lalita olha assustada e pergunta: Que palhaço? Num tô vendo palhaço aqui! Tu tá vendo, Marmota?
A Marmota procura com o patinho amarelo na mão, sem achar nenhum palhaço perto. Epa!! Escutei algum palhaço, Marmota!! Tá vindo de dentro dela!! A Marmota vai pra pertinho da menininha que viu os palhaços e fica procurando perto dela com o patinho, e a Taís ria que ria!! Cada riso era um vestígio para a procura do palhaço escondido dentro dela. E olhe que a gente procurou muito e esse danado não aparecia! Marmota!! Ausculta ela com o telescópio pra ouvir melhor, pode ser que vc encontre mais rápido!! A Marmotinha tira o estetoscópio vermelho de dentro do jaleco e tenta escutar..mas nada!
O telescópio, então, virou um telefone que a Lalita testava, pensando que tava quebrado: Alô?? Alô?? Taís você ta me ouvindo??
Tô siiiiim!
Taís?? Tá me ouvindo, Taís?? Fala mais alto!!!
Eu tô falando altoo!!!
Taís!!
Pruuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuum!!
Que foi isso Taís?? Foi um pum?? Fuum!! Que pôde!! Pára de rir!! Né tu que tá cheirando, né!! Alô??
Prruuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuum!!
A Lalita, não agüentando o pum transmitido telefonicamente pela Taís, foi pegar uma máscara. Quando tentou botar no rosto, o nariz atrapalhou e vrum! A mascara subiu e tapou seus olhos!!! Marmota!!! Me salva!! Tô vendo nada!! Que foi isso!! E a Lalita, com os braços pra frente e olhos tampados, andava no corredor da Pediatria sob a orientação da Dra. Marmota. Ela fazia a Lalinha bater em todas as paredes! Foi quando começou um monte de abelha beliscar a PaYaça!! Nossa nossa!! Quanta abelha!! Dava pra ouvir os risinhos das crianças beliscando a Doutora!! E o enxame de abelhas foi ficando cada vez maior, até as Payaças se esbarrarem e cairem no chão!!
Foi então que consegui enxergar. Pedi pra uma das crianças sentadas no corredor para amarrar direitinho a máscara, mas ela amarrou muito frouxo! Vaila!! Uma tanga de biquíni!! A mascara virou uma tanga de biquíni!! Será que cabe em mim? Queria tanto ir pra praia!! Era uma mini-tanga. Ofereci a tanguinha pra minha ajudante e disse pra ela botar muito protetor solar, porque a tanga num tampa nada e queima tudo no sol!
Quando estávamos indo embora, achei a Dr. Fulô de máscara, conversando com um velho amigo, num quarto que tinha isolamento. Ele era imunossuprimido. Mas quem disse esse nome estranho foi a Médica dele, na visita passada. A Fulô descobriu que era mentira, que o nome dele verdadeiro era outro, muito mais bonito! Eles conversavam como velhos amigos.
“Eu já o conhecia, apesar de não saber o seu nome. Ele já estava internado no hospital há bastante tempo e sempre foi um garoto esperto, cheio de energia. Ele brincava por todo o corredor, correndo atrás de nós, inventando jogos e mais jogos, e sempre com seu abdome globoso, elevado, indicando que havia algo errado com seu corpo.Ficamos tristes tb ao ver q ele queria brincar, mas ñ podia.”

Ele podia sim, Fulo, ele podia brincar e tava muito feliz com vc!! Nayan, vc percebe como as coisas são? Como as coisas q têm q ser são? Tinha alguém esperando por você.

A hora do parto chegou, íamos voltar pra Palhaçolândia. No corredor da saída, três crianças foram com a gente, até o final, e não queria voltar pros leitos. Falei que, se eles não voltassem, iam dar bronca nos palhaços e não iam mais deixar a gente visitar! O Diego, um dos besouros que atacou a Dra. Lalita, segurou a mão das outras duas meninas e olhou pra mim. Não precisou dizer nada! Ele garantiu a volta dos palhaços, ele queria isso, e foi maravilhoso perceber que éramos bem vindos.
A gente sempre volta, fica tranqüilo tá, Diego!?

domingo, 7 de outubro de 2007

Vocês pensam que é bryncadeyra?

Se for, a coisa é sérya! Qualquer um que tenha feito o básico de inglês sabe que felicidade nessa língua se escreve: H.A.P.P.I.N.E.S.S.

Com "i".

Mas olha só o que fizeram nesse filme: