domingo, 21 de setembro de 2008

Centro cyrúrgico

Lá no hospital tem um corredor por onde os pacientes passam quando vão ser submetidos a uma cirurgia.

Os acompanhantes ficam numa sala de espera logo em frente. Tudo o que entra no centro cirúrgico é religiosamente esterilizado, sejam os materiais, que são lavados adequadamente, sejam as pessoas, que se vestem com uma roupa asséptica.

O ritual de entrega do paciente se dá por uma janela que dá até o corredor do centro operatório. Os sujos maqueiros entregam o paciente em sua maca para os limpos auxiliares lá de dentro. Tudo para evitar infecção pós-operátoria.

Do lado do paciente, essa passagem é cheia de toda uma tensão, de um percurso que parece um calvário, de um lembrete martelando constante na sua cabeça que toda operação tem seu risco.

***

Dia normal no hospital. Todos andam pelos corredores, cada um com sua função. Cada um com seu destino.

Em frente ao corredor da cirurgia passam médicos, enfermeiros, auxiliares, maqueiros e estudantes. Passa também uma auxiliar de serviços gerais que leva um caixão de roupas limpas para abastecer o centro cirúrgico.

- Pára!!!

Escuta-se um grito destampado de alguém. Todos se assustam. Médicos, enfermeiros, auxiliares, estudantes. E pára a auxiliar de serviços gerais. Vêem uma figura estranha andando toda pintada e de nariz vermelho. É a Tampinha.

Todos parados. Sem saber o que fazer.

Tampinha se aproxima de alguém.

Sim. Ela se aproximava de um paciente que ia entrar.

Não. Ela se aproximava da auxiliar de serviços gerais.

Não, não. Ela se aproximava do caixão de roupas do centro cirúrgico.

Aliás... ela se aproximava das próprias roupas do centro cirúrgico.

- Vai dar tudo certo. – diz ela pras roupas que estavam em vias de entrar lá.

Ninguém se agüenta. Todos riem do carinho e da preocupação com que Tampinha tratou as suas amigas roupas.

E ela? Ela nem se dá conta das gargalhadas. Prossegue o seu percurso à pediatria do hospital, feliz por ter cumprido seu dever de ser humana com alguém... ou com algo... ou com alguma coisa. Com as amigas roupas.

Poderiam ser tampas, deve ter pensado ela. Ora, eram roupas!


(baseado em depoimento de um interno do hospital que depois de um ano nunca esquecera da cena daquela dia... ainda ria!)

4 comentários:

gaby disse...

kkkkk ! saudades da tampynha ...
:***

Carla Oliveira disse...

Oow qm escreveu isso??

Ei eu conheci a tampynha muda =(
fazendo 500 mils gestos malucos pra gente tentar decifrar o q ela dizia =P


vooooooolta tampynha :D

Allan disse...

Fui eu que escrevi!

Allan disse...

O interno é o Mavignier. Conversando com a gente numa festa de confraternização ele viu a Fafel e se lembrou da Tampinha.